Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

Também quero...

 

Entrei.

Sentei.

Meu olhar percorre o espaço.

Espero.

Faço juízos indefinidos e espero novamente.

A porta desloca-se.

Abriu-se.

Um vulto entra em cima de uns saltos altos e finos, clássicos, pretos, bonitos, femininos, transportando um corpo com perfil sumarento e silvestre envolvido por cabelos negros, compridos, cobrindo um rosto destemido, moreno, esguio, e com passos meticulosamente ensaiados e perfeitos caminha num som atrevido.

Os sapatos denunciaram-na .

Eu vi.

É olhando nos sapatos que adivinho o estado emocional dela.

As metas e expectativas, a sua auto-estima está em alta, está disponível para sexo. Alguns tipos de sapatos femininos, como mocassins e ténis, são sexualmente neutros, mulheres que usam habitualmente esse tipo de calçado não se preocupam em propagar agressivamente a sua sensualidade. Uma mulher de salto alto é uma sereia, olhada tanto por homens como mulheres – embora por motivos diferentes. Agora penso e entendo finalmente o porquê da preferência do príncipe pela Cinderela em vez das filhas de sua madrasta: só ela possuía pés e sapatos de salto alto tão perfeitos que tirariam qualquer um do sério.

 

O fumo solta-se do meu cigarro entre uma e outra tragada, minha única companhia desta noite neste bar. Pessoas animadas, diferentes, gordas, magras, acompanhadas espalham-se pelos lugares e eu...

sozinha observo.

Com papel e uma caneta ora escrevo ora levanto o semblante e aprecio comportamentos de quem foge de uma vida atinada e tira umas horas para se libertar.

Ninguém me vê.

Penso eu.

Continuo a divagar, a fazer juízos de valores mas resignando-me à minha invisível e humilde existência. 

A música parece-me animada.

Aprovo.

As idades misturam-se, faz-se um encontro de gerações e vivências camufladas.

A noite corre num ápice, tal como meus devaneios...

Continuo sozinha...

Preocupante?

Não!

Apenas uma opção intrigante , misteriosa para uns, estranha para outros, para mim a mais perfeita, tão perfeita que atrevo-me a pedir uma super-bock sem álcool a um moreno escultural, alto que por ali servia...

A tal de salto alto levanta-se.

Isto interessa-me.

Um dia destes compro uns saltos assim. A ideia faz-me cócegas no dedo mindinho do pé. Sei que me vai aumentar a auto-estima, vou parecer irreconhecivelmente maior, em contrapartida aniquilará o meu dedo preferido. O salto alto foi considerado uma arma mortífera, embora pareça um grande exagero, mas mesmo assim uma mulher com saltos muito altos e finos de facto parece estar com um objecto mortífero atado aos pés. Por isso eu estava bastante atenta a cada movimento pronunciado por aquela mulher que tinha entrado ali com o seu ar à “El Matador”.

Levantei-me.

Paguei.

E fui dormir.

Amanhã comprarei uns saltos altos.

Boa noite!!

Segredos de Khadija!!

 


Noite de prata

 

Na praia, um barco, um farol apagado...

E numa dança louca

Os tambores ressoam entre o céu e o mar...

A noite cai,

Sou invadida pela escuridão do momento,

Fecho os olhos e pressinto no ar a conspiração dela que me fere o olhar

E mergulha em meu corpo sombrio,

No seu dom eu me abandono...

Muita lenta, vagarosa, sem ter pressa de chegar,

Ela vem...

A Rainha da Noite!!

Foge, tenta enganar, grita um nome

Incendeia-me!!

Brilha numa pedra falsa

Quer oferecer o que ninguém me deu

Confunde-me com uma joia rara

E eu deixo enlaçar-me numa valsa

E os tambores ressoam entre o céu e o mar.

Inocência de um tempo longinquo

Onde a voz solta-se-me num grito mudo

O farol acende-se, o barco afasta-se, a praia desabrocha.

Livre, sem medo

Conquista meu mundo

Solta-se um beijo

E o papel principal é meu.

Amanhece

A luz agita-se sem querer

Rendida, vejo-a partir

Onde eu queria ir um dia

Rasga-se o céu e perde-se no tempo,

A senhora do tempo sem fim

Vejo-a perder-se por recantos

Porém, sem mim!

O barco ancorou, o farol apagou, a praia acordou

e...e...

A Lua abalou!!

Segredos de Khadija!!


Sexta-feira, 27 de Abril de 2007

Alma Solitária...

Solidão não é a falta de pessoas para falar, namorar ou simplesmente passear...Isso é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos devido à ausência de entes queridos que nunca mais voltam...isso é saudade.

Solidão não é o retiro solitário que por vezes nos impomos para reorganizar os pensamentos...isso é equilíbrio.

Tão pouco é o claustro involuntário que o destino nos impõe para que revejamos nossa vida...isso é o princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de pessoas à nossa volta...isso é circunstância.

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos, em vão, pela nossa alma!

Segredos de Khadija!!


Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

Sorriso esquecido...

 

Parei em algures no tempo...mas onde? Porquê?

Porém caminho por ruelas e calçadas, sentindo sob meus pés o cascalho que teima em perfurar minha pele macia ...

A dor relembra-me da minha inútil e efémera existência e atira-me para meus pensamentos mais macabros, e descubro, de vez enquando, que um dia o sol não conseguirá aquecer meu corpo gélido e pálido. Porquê?

Extenuadas, minhas pernas seduzem minha alma e juntas , mesmo prostradas, todos os dias abraçam-se numa secreta cumplicidade e ninguém nota, ninguém...o quanto a ainda curta vida lhes cansou.

Derrotada, olho em volta e amargurada somo e sigo vivências com gosto a revolta, raiva e nojo do mundo...Porquê?

Poderei ter direito a morrer por uns dias?Não?Porquê?

Porque afinal já morri...

e nem vi...

nem senti...

Mas sei que um dia vivi!

                                                         Segredos de Khadija!!

 


Terça-feira, 24 de Abril de 2007

Manhã no Porto!!

 

Há uns dias apanhei um autocarro que faz toda a marginal, desde a praia de Matosinhos até à foz do Douro, e termina perto da Ribeira. Estava uma manhã leve, clara e amena, como não se vê muito no Porto. O céu era de um azul intenso e cheirava ainda a Verão. Mal entrei no autocarro, um inesperado cheiro a peixe atingiu-me de tal maneira que ainda considerei abandonar o transporte, mas já estava atrasada demais para o fazer. Sentir logo de manhãzinha o odor do peixe cru e fresco não é propriamente uma das minhas coisas favoritas. Como não havia lugares sentados, fui obrigada a avançar para a parte mais recuada, e pude ver a causa de este transporte público cheirar como uma peixaria.

Na parte central do autocarro estavam pousadas duas enormes cestas repletas de peixe. Cestas de vime, à antiga, resguardadas por panos alvos e debroados, feitos à mão. Cada uma das cestas levava imensos peixes diferentes, e deveria pesar uma boa vintena de quilos. Quem as levava eram duas senhoras idosas, peixeiras de Matosinhos. Uma teria já passado seguramente dos seus sessenta anos, a outra aparentava ter mais de setenta. A minha reacção, após me passar a irritação criada pelo cheiro desagradável, foi ficar a olhar para as duas idosas que conversavam animadamente, frescas e alegres como dois pardais no raiar do dia. No meio de tanta gente calada, sisuda, incapaz de cumprimentar ou falar para o vizinho do banco do lado, ver aquela parelha a conversar e a rir como se estivessem numa festa popular, fez-me sorrir sinceramente, e pensar. Como seria possível ter aquela força? Eram duas velhinhas pequenitas que estavam à minha frente. Os seus cabelos eram um desalinho de cãs, as roupas pobres e humildes. As mãos eram secas e fortes como as de um homem, e as pernas já deformadas pelos esforços da vida. Os seus rostos estavam indelevelmente marcados pelos muitos anos das suas profissões, pelos desgostos, pelas perdas, pelas lágrimas e pelo sol. Mas também havia marcas de alegria naquelas rugas, e os olhos da mais velha brilhavam enquanto contava à outra um apuro que o seu filho havia passado no mar uns dias antes. E às vezes, entre algumas enxurradas de palavrões, tinham umas expressões de tal modo castiças que não conseguia evitar uma gargalhada semi-abafada. Como alguém um dia disse, era a música masculina das palavras sem vileza, tão típica do Porto. E como gosto das falas esguias e cortantes das peixeiras desta cidade quando, estupendas, dizem ditongos que nenhum linguista romântico conseguirá alguma vez explicar.

Perto da Foz velha deram sinal de saída e, perante o olhar incrédulo de toda gente, motorista incluído, arrastaram as cestas de vime para junto da porta e puseram-nas à cabeça, sobre uns lenços. Agradeceram ao motorista por ter esperado o tempo suficiente e abalaram, rindo das expressões admiradas das pessoas que as olhavam. Como se estas nem imaginassem a força que tinham e o que já haviam passado estas mulheres. Mulheres que são mães, avós, companheiras ou viúvas, e me deixaram surpresa e emocionada por, no meio de vidas certamente tão humildes e difíceis, na velhice, conseguirem mostrar uma atitude que a maior parte de nós não é capaz.

Segredos de Khadija!!


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